21 de novembro de 2014
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OPERAÇÃO ARARATH
PF visa combater o crime organizado
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CLÁUDIO MORAES

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira mais uma etapa da Operação Ararath com o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Mato Grosso. Neste momento, agentes colhem documentos na casa do bacharel em Direito, Tiago Vieira de Souza Dorileo, no condomínio Florais Cuiabá.

Ao mesmo tempo, o escritório dele no 13º andar do edifício Top Tower na avenida do CPA foi ocupado por quatro policiais federais, que saíram com um malote de documentos. Informações dão conta que Tiago Dorileo não estava em casa durante a chegada dos PF´s, o que demonstra que a operação teria sido vazada.

Neto do desembargador falecido do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Ernani Vieira de Souza, o bacharel de Direito é apontado pela Polícia Federal como "lobista de sentenças". Tiago Dorileo é suspeito de ter negociado com o juiz federal Julier Sebastião da Silva para beneficiar a construtora Encomind na emissão de certidões negativa de impostos.

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal mediante autorização do desembargador do Tribunal Regional Federal, Luciano Tolentino Amaral, apontariam contatos entre Julier e o lobista. Tiago teria autuado como intermediador para a concessão da decisão beneficiando a empreiteira.

Tiago Dorileo é investigado em outra operação da PF. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal, em Brasília, de atuar junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso em casos de venda de sentenças investigados pela Operação Asafe, deflagrada em 2010 pela Polícia Federal.

A investigação teve início no Estado de Goiás, quando eram apurados crimes ligados ao tráfico de entorpecentes. Durante o trabalho, porém, foi descoberta a existência de indícios de crimes envolvendo juízes e desembargadores mato-grossenses, em um suposto esquema de venda de sentenças.

O número exato de mandados de busca e apreensão não foi divulgado pela Polícia Federal. Além disto, ainda não se sabe se existe algum mandado de prisão.

A OPERAÇÃO

Esta é a terceira etapa da "Operação Ararath" que teve início no último dia 12 após ser descoberto um esquema de lavagem de R$ 500 milhões através de empresas de factoring e combustíveis comandadas pelo empresário "Júnior Mendonça". A partir das investigações, a PF descobriu uma série de fatos que abalam as estruturas dos orgãos públicos de Mato Grosso.

O termo “Ararath” foi escolhido pelos agentes por ser o nome de um monte na Turquia onde, supostamente, foi encontrada a Arca de Noé. Isso porque o esquema investigado atualmente em muito se assemelha ao descoberto com a deflagração da operação Arca de Noé, em 2003, que desarticulou as ações de João Arcanjo Ribeiro, à época tido como o chefe do crime organizado no Estado.

O ex-bicheiro era responsável por comandar movimentações financeiras ilegais, por meio de factorings. O responsável por decretar a prisão de Arcanjo foi o próprio juiz federal Julier Sebastião da Silva. Segundo a Polícia Federal, os investigados pela operação Ararath devem ser indiciados e poderão responder pelos crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, bem como ocultação de bens, direitos e valores. As penas estão previstas no art. 16 da Lei nº 7.492/86, podendo chegar à reclusão de 1 a 4 anos e multa, e no art. 1º da lei 9.613/98, com reclusão de 3 a 10 anos e multa.

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